
Diogo Salles tem trinta e poucos anos e é palpiteiro profissional. Nas horas vagas ele é chargista do Jornal da Tarde. Seus primeiros passos como geek musical vem lá dos idos dos anos 80, com a febre Michael Jackson. Mais tarde partiu para o rock, hard rock, progressivo e nunca mais largou. Aos 17 anos, se tornou um roqueiro xiita — não aceitava nada que não fosse Rush, Van Halen ou Yes. Mais tarde conheceu o blues, depois o fusion e chegou ao jazz. É grande admirador de guitarristas, como Jimi Hendrix e Eric Clapton, e não perde a oportunidade de ver suas bandas preferidas ao vivo.
Diogo não acredita que a boa música seja feita necessariamente pelos virtuosos ou velocistas, mas sente ojeriza pela mediocridade de indies e emos e acha muito estranho esse fanatismo quase religioso do fundamentalismo headbanger. Mais estranho ainda são os falsos ecléticos, que só fazem prosperar a ideia do preconceito na música. Hoje, acredita que a salvação da música pode estar nas superbandas, como Chickenfoot e Them Crooked Vultures — só lamenta que várias bandas de que já gostou um dia tenham se tornado um bando de necrófilos, ganhando uns trocados em cima de ídolos mortos e canonizados.
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